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Quanto você precisa ganhar para começar a investir?

Você não precisa ganhar muito para começar a investir. Descubra o valor mínimo para cada tipo de investimento e como começar com o que você tem hoje.

Por Victor Morais8 min de leituraAtualizado em

Existe um mito muito antigo no Brasil que precisa ser derrubado de uma vez por todas: a ideia de que investir é coisa de quem ganha bem. Não é.

Hoje é possível começar a investir com R$ 1. Com R$ 30. Com R$ 100. O valor do investimento inicial importa muito menos do que a maioria das pessoas imagina e o hábito de investir todo mês importa muito mais do que o quanto você começa.

A pergunta certa não é quanto você ganha

A pergunta certa é outra: quanto sobra depois de pagar todas as contas?

Se sobra R$ 50, você pode investir R$ 50. Se sobra R$ 200, investe R$ 200. Se não sobra nada, o problema não é a falta de renda para investir, é o orçamento que precisa de atenção primeiro.

Mas se você tem qualquer margem positiva no final do mês (qualquer valor) já tem o suficiente para começar.

Quanto cada investimento exige de valor mínimo

Muita gente não começa por não saber que os valores mínimos são muito menores do que imagina. Veja na prática:

Tesouro Direto: a partir de R$ 30. O Tesouro Selic, ideal para reserva de emergência, aceita aportes a partir desse valor. É o investimento mais acessível e seguro do Brasil.

CDB: a partir de R$ 1 em bancos digitais. Muitos CDBs com liquidez diária e rendimento de 100% do CDI aceitam qualquer valor via aplicativo, em segundos.

Tesouro Reserva: a partir de R$ 1. O título público mais novo do governo brasileiro, com resgate via Pix a qualquer hora, inclusive fins de semana.

FIIs (Fundos Imobiliários): a partir de R$ 10. Uma única cota já te torna cotista de shoppings, galpões e imóveis comerciais (com renda mensal).

Ações: a partir de R$ 5 no mercado fracionário. Uma única ação de empresas como Petrobras, Vale ou Itaú já te torna sócio de uma grande empresa brasileira.

ETFs: a partir de R$ 100. Uma cota do BOVA11 te dá exposição a todas as maiores empresas da B3 de uma vez.

O que realmente importa: consistência, não valor

A matemática dos juros compostos não se importa com o tamanho do aporte, ela se importa com o tempo e com a regularidade.

R$ 100 investidos todo mês durante 20 anos, com rendimento médio de 10% ao ano, resultam em aproximadamente R$ 75.000. Sendo que você investiu apenas R$ 24.000 do próprio bolso, o restante veio dos rendimentos compostos ao longo do tempo.

Quem investe R$ 100 por mês durante 20 anos chega muito mais longe do que quem espera ter R$ 1.000 para começar e nunca consegue juntar.

E se eu tiver dívidas?

Aqui existe uma ordem lógica que não deve ser ignorada: dívidas caras primeiro, investimentos depois.

Se você tem dívidas com juros altos, como: cheque especial, rotativo do cartão, empréstimo pessoal, pague-as antes de começar a investir. Não faz sentido matemático render 14% ao ano no Tesouro Selic enquanto paga 150% ao ano no cheque especial.

A exceção é a reserva de emergência: mesmo com dívidas, vale ter um valor mínimo de segurança guardado para emergências reais (para não precisar recorrer ao crédito caro toda vez que um imprevisto aparecer).

O efeito do tempo: por que começar cedo vale mais do que começar com muito

Imagine dois investidores. João começa aos 25 anos investindo R$ 200 por mês e para aos 35, investe por apenas 10 anos. Maria começa aos 35 anos investindo os mesmos R$ 200 por mês e continua até os 65, investe por 30 anos.

Quem termina com mais dinheiro aos 65 anos? João, mesmo tendo investido por menos tempo e colocado menos dinheiro do próprio bolso. Porque ele deu ao tempo mais anos para trabalhar. Isso é o poder dos juros compostos aplicado à realidade: começar cedo vale mais do que começar com muito. Cada mês que passa sem investir é um mês a menos de rendimento sobre todos os aportes futuros. O custo de esperar é invisível no curto prazo e enorme no longo prazo.

Quanto guardar por mês: uma regra simples

Se você não sabe por onde começar na hora de definir o valor do aporte mensal, use essa referência: invista entre 10% e 20% da sua renda líquida todo mês. Se ganha R$ 2.000, separe de R$ 200 a R$ 400. Se ganha R$ 4.000, de R$ 400 a R$ 800.

Se esse percentual parece alto para o momento atual, comece com 5% (o que importa não é o valor, é criar o hábito). Com o tempo, à medida que a renda cresce ou os gastos diminuem, você aumenta a porcentagem. O objetivo é que investir deixe de ser um esforço eventual e vire uma parte automática da sua rotina financeira, como pagar o aluguel ou a conta de luz, só que para o seu futuro.

Por onde começar hoje

Se você nunca investiu e quer começar agora, o caminho mais simples é:

1. Abra conta em um banco digital, exemplo: Nubank, Inter ou PicPay, esses bancos digitais têm contas gratuitas com rendimento automático do saldo igual ou acima de 100% do CDI.

2. Separe qualquer valor que sobrou esse mês (exemplo: R$ 50, R$ 100, o que for).

3. Transfira para o Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária. Pronto, você já é um investidor.

4. No próximo mês, repita. E no seguinte. E no que vem depois.

Não existe valor mínimo de renda para começar a investir. Existe apenas a decisão de começar ou não.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional e não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.

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