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Tesouro Prefixado: quando vale a pena e como funciona

Entenda como funciona o Tesouro Prefixado, quando ele vale mais a pena que o Tesouro Selic e os riscos de vender o título antes do vencimento.

Por Victor Morais8 min de leituraAtualizado em

Entre os títulos do Tesouro Direto, o Prefixado é o único que oferece algo raro no mundo dos investimentos: a previsibilidade exata sobre o retorno. Enquanto o Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros e o Tesouro IPCA+ varia conforme a inflação, o Prefixado trava a rentabilidade no momento da compra e não muda, independente do que aconteça na economia depois.

Essa previsibilidade tem um preço: exige que o investidor mantenha o título até o vencimento para realmente aproveitar essa vantagem.

Como funciona o Tesouro Prefixado

Ao comprar um Tesouro Prefixado, você já sabe exatamente quanto vai receber na data de vencimento. O valor de face do título é sempre R$ 1.000 não importa qual Prefixado você escolher, quanto pagou ou quando comprou.

O que determina a sua rentabilidade é justamente o preço que você paga hoje por esse título que valerá R$ 1.000 no futuro. Quanto mais barato o preço atual, maior a rentabilidade anual até o vencimento. É por isso que o preço e a taxa oscilam diariamente conforme as expectativas do mercado sobre os juros futuros.

Em julho de 2026, as taxas de referência do Tesouro Prefixado seguem em patamares elevados, próximas de 14,38% ao ano no vencimento 2029 e 14,61% ao ano no vencimento 2032. Isso significa que, comprando hoje, você trava esse retorno até o final do prazo, mesmo que a Selic caia significativamente nos próximos anos.

As duas modalidades disponíveis

Tesouro Prefixado tradicional: o valor total, incluindo os juros acumulados, é pago de uma única vez na data de vencimento. Ideal para quem não precisa de renda periódica e quer maximizar o efeito dos juros compostos.

Tesouro Prefixado com juros semestrais: o investidor recebe pagamentos de juros a cada seis meses, com o valor de face pago no vencimento final. Os pagamentos costumam ocorrer em 1º de janeiro e 1º de julho. É interessante para quem busca uma fonte de renda periódica, mas tem uma desvantagem: o Imposto de Renda incide sobre cada pagamento semestral, reduzindo a eficiência tributária no longo prazo comparado à modalidade sem juros.

Quando o Prefixado vale mais a pena que o Tesouro Selic

Essa é a dúvida mais comum entre investidores intermediários. A resposta depende da comparação entre a taxa prefixada oferecida hoje e a expectativa de trajetória da Selic nos próximos anos.

Se a taxa do Prefixado está igual ou acima da Selic atual (e o mercado projeta que os juros vão cair no futuro), travar essa taxa agora garante um rendimento superior ao que a renda pós-fixada provavelmente vai entregar adiante. É exatamente o cenário de 2026, com juros historicamente altos: quem trava uma taxa prefixada de 14% ao ano hoje se protege caso a Selic comece a cair nos próximos anos.

Se, por outro lado, existe expectativa de que os juros vão continuar subindo, o Tesouro Selic tende a ser mais vantajoso porque ele acompanha essa alta automaticamente, enquanto o Prefixado ficaria travado numa taxa que se tornaria menos competitiva.

Um dado que reforça esse comportamento: segundo a Anbima, os títulos prefixados de longo prazo acumularam 20,07% de rentabilidade em 2025 desempenho superior ao CDI no mesmo período, beneficiado justamente pela queda de expectativas de juros ao longo do ano.

O risco real: marcação a mercado

Esse é o ponto que gera mais confusão e mais prejuízo evitável entre investidores iniciantes e intermediários.

A rentabilidade prefixada só é garantida se você mantiver o título até o vencimento. Se decidir vender antes, o preço de venda vai refletir as condições de mercado daquele momento, que podem ser bem diferentes das condições de quando você comprou.

Se os juros de mercado subiram desde a sua compra, o preço do seu título cai e você pode vender com prejuízo, mesmo tendo comprado um título "seguro" do governo. Se os juros caíram, o preço do seu título sobe, e você pode até vender com lucro extra antes do vencimento.

A regra prática, como já explicamos no artigo sobre marcação a mercado: nunca compre Tesouro Prefixado com dinheiro que você pode precisar antes da data de vencimento.

Simulação prática

Considerando o Tesouro Prefixado 2029 a uma taxa aproximada de 14,38% ao ano, com prazo de 3 anos:

Um investimento de R$ 5.000 chegaria a aproximadamente R$ 7.400 no vencimento, antes de impostos. Descontando o Imposto de Renda de 15% sobre o rendimento (aplicável para prazos acima de 720 dias) e a taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano, o valor líquido final fica em torno de R$ 7.200.

Essas simulações são ilustrativas: as taxas mudam diariamente e vale sempre conferir os valores atualizados diretamente no site do Tesouro Direto antes de investir.

Para qual perfil o Tesouro Prefixado é indicado

Faz sentido para você se:

  • Tem um objetivo com prazo definido e compatível com o vencimento do título, exemplos: uma viagem em 3 anos, entrada de um imóvel em 5 anos;
  • Tem certeza de que não vai precisar resgatar o dinheiro antes do vencimento;
  • Acredita que a Selic tende a cair ao longo do período do investimento;

Não faz sentido para você se:

  • É para a reserva de emergência, nesse caso, Tesouro Selic é sempre mais adequado;
  • Você pode precisar do dinheiro a qualquer momento;
  • Não tem certeza sobre a direção futura dos juros e prefere simplicidade;

O Prefixado como parte de uma carteira diversificada

Como discutimos no artigo sobre diversificação, misturar títulos pós-fixados, prefixados e híbridos protege contra diferentes cenários de juros. O Tesouro Prefixado funciona bem justamente como essa peça complementar, ou seja, trazendo previsibilidade de retorno para uma parte da carteira, enquanto outras partes seguem protegidas por indexadores diferentes.

O Tesouro Direto deve ser a base da carteira, não a carteira inteira. Dentro dessa base, o Prefixado tem seu papel específico: para quem tem clareza sobre o prazo e confiança na direção dos juros, ele oferece uma das melhores relações entre simplicidade e retorno disponíveis na renda fixa brasileira.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional e não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.

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