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13º salário: o que fazer com esse dinheiro extra

Descubra a ordem certa para usar o 13º salário: quitar dívidas, montar reserva de emergência ou investir. Um guia prático para não desperdiçar esse dinheiro.

Por Victor Morais6 min de leituraAtualizado em

Todo fim de ano (ou início, no caso do 13º do INSS) a mesma pergunta aparece na cabeça de milhões de brasileiros: o que fazer com esse dinheiro extra?

A resposta errada mais comum é "gastar". Não porque gastar seja proibido, mas porque a maioria das pessoas gasta sem intenção e, no fim do mês seguinte, não sabe nem para onde foi o dinheiro. Como diz uma analista do mercado financeiro, é com esse pensamento de "é pouco para investir mesmo" que o 13º inteiro vira cafezinho.

Existe uma ordem lógica e comprovadamente eficiente para usar esse valor e ela começa antes de qualquer investimento.

Passo 1 - Quite as dívidas caras primeiro

Se você tem dívidas com juros altos (cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal) esse é o primeiro destino do 13º, sem exceção.

O motivo é puramente matemático: não existe investimento no mercado que renda mais do que os juros que essas dívidas cobram. O cartão de crédito rotativo, por exemplo, pode ultrapassar 400% ao ano, uma loucura! Pagar essa dívida é, na prática, o "investimento" com melhor retorno disponível para você agora.

Pesquisas mostram que o cartão de crédito é a principal dívida para 60% dos brasileiros (um percentual que só cresce ano após ano). Se esse é o seu caso, comece por ele.

Passo 2 - Construa ou reforce a reserva de emergência

Com as dívidas caras resolvidas, o próximo destino é a reserva de emergência, o famoso 'colchão de segurança para imprevistos' como desemprego, problemas de saúde ou despesas inesperadas.

O valor ideal varia entre 3 e 6 meses das suas despesas essenciais. Se você gasta R$ 3.000 por mês, a meta fica entre R$ 9.000 e R$ 18.000. O 13º raramente cobre essa meta de uma vez (mas é um excelente ponto de partida, que você complementa com aportes mensais até completar o valor).

Guarde essa reserva em Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária, precisa ser em produtos seguros, com resgate rápido e rendimento acima da poupança. Para mais informações sobre reserva confira esse outro artigo que escrevi sobre reserva de emergência.

Passo 3 - Separe para os gastos previsíveis do início do ano

Antes de pensar em investimentos de longo prazo, vale reservar uma parte para despesas que costumam pesar logo no começo do ano: material escolar, IPVA, IPTU, renovação de seguros. Planejar esses gastos com antecedência evita que você entre em novas dívidas justamente nos primeiros meses do ano.

Passo 4 - Invista o que sobrar com objetivo definido

Só depois de dívidas quitadas, reserva encaminhada e gastos previsíveis separados é que faz sentido pensar em investir o restante para objetivos de médio e longo prazo.

Uma divisão prática e equilibrada, adaptada para quem já resolveu os passos anteriores:

50% para reforçar a reserva ou objetivos de curto prazo - Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária.

30% para objetivos de médio prazo - 1 a 5 anos, como uma viagem ou entrada de um bem. Tesouro IPCA+ com vencimento alinhado ao objetivo é uma boa opção.

20% para longo prazo - aposentadoria e construção de patrimônio. Ações, FIIs ou ETFs, dependendo do seu perfil de risco.

Vale a pena investir tudo de uma vez ou dividir?

Depende do tipo de investimento. Para renda fixa (Tesouro Direto, CDB, LCI) investir o valor total de uma vez é mais vantajoso, porque o dinheiro começa a render imediatamente, sem perder tempo.

Para renda variável, como ações, pode fazer mais sentido dividir o valor em 3 ou 4 aportes mensais (dessa forma visamos comprar com preço médio, que reduz o risco de comprar tudo em um momento ruim do mercado).

Uma abordagem equilibrada: aplicar a maior parte do 13º em renda fixa de uma vez, e se sobrar algo para renda variável, divide esse valor em compras mensais ao longo dos próximos meses.

O erro mais caro: não ter um plano

O maior risco do 13º não é escolher o investimento errado, é não ter plano nenhum. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria, 68% dos brasileiros não conseguem guardar dinheiro até o fim do mês. O 13º é uma oportunidade concreta de romper esse ciclo, mesmo que seja com um valor pequeno.

Antes de qualquer decisão, pergunte-se: para onde esse dinheiro deveria ir, considerando a minha realidade hoje? Dívida, reserva ou investimento? a resposta certa depende de onde você está na sua jornada financeira, não do que todo mundo está fazendo.

O importante é que o dinheiro tenha destino e não que ele simplesmente desapareça.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional e não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.

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